Superar o mercado é um feito raro, mas possíveis protagonistas emergem quando técnicas avançadas e disciplina se unem. Este artigo explora como certos fundos vão além dos índices de referência e entregam resultados superiores, apesar dos custos e da competitividade.
Enquanto a maioria das carteiras ativas acaba pressionada pelas taxas de administração, há estratégias capazes de extrair ganhos adicionais em momentos de volatilidade e dispersão.
Dados do relatório SPIVA da S&P revelam que menos de 10% dos fundos de gestão ativa supera seus benchmarks em horizontes longos. A probabilidade de errar a seleção de ativos é estruturalmente maior do que acertar, e o efeito dos custos reduz ainda mais a vantagem do gestor.
Nos últimos 40 anos, a evolução mostrou que nos EUA a participação de produtos passivos cresceu de quase zero para mais da metade do patrimônio em fundos. No Brasil, o cenário acompanha essa tendência: o investidor busca segurança de replicar índices com taxas menores.
Mesmo nesse contexto, gestores qualificados conseguem gerar retornos acima do mercado explorando ineficiências e cenários desafiadores. Estratégias sofisticadas prosperam em ambientes de alta dispersão entre vencedores e perdedores, prontos para capturar ganhos em oportunidades pouco visíveis ao investidor comum.
Essa combinação de técnicas permite explorar ineficiências de mercado e diferenciar gestores que entendem riscos de quem aposta sem controle.
Fundos multimercado se destacam pela flexibilidade de alocar capital em renda fixa, variável, câmbio, commodities e derivativos. Essa amplitude permite buscar retornos em múltiplas fontes e amortecer choques setoriais.
Em 2024, apenas 24% dos fundos multimercado macro superaram o CDI, mas no segundo semestre esse índice saltou para 58%. A oscilação demonstra a volta do apetite ao risco e a capacidade de gestores de surfar ciclos macroeconômicos.
Quando os juros começam a cair, ou quando há flutuações abruptas em moedas, setores e regiões, esses fundos passam a ter terreno fértil para executar arbitragens e rotação de ativos.
Ciclos econômicos distintos oferecem oportunidades variadas. Em momentos de juros altos, fundos de crédito estruturado podem se sobressair, investindo em debêntures, CRIs e CRA. Já em ambientes de alta volatilidade, a alocação em derivativos de proteção torna-se essencial.
Em 2025, por exemplo, fundos de crédito estruturado alcançaram retornos de até 110% no ano, superando Ibovespa e CDI com folga. Esse desempenho veio do foco em emissões com rating elevado e setores essenciais, garantindo resiliência e ganhos consistentes.
Fundos de ações também registraram performance robusta em 2025: a mediana do setor ficou em 22,13%, contra 19,22% do Ibovespa. O uso de processos rigorosos de stock picking e análise fundamentalista faz a diferença em períodos de grande dispersão.
Apesar dos casos de sucesso, a gestão ativa não é isenta de riscos. O uso de alavancagem pode amplificar perdas em cenários adversos, e a complexidade das estratégias exige total transparência e governança rigorosa.
Investidores devem avaliar o alinhamento entre gestor e cotistas, a qualidade das políticas de risco e a liquidez dos ativos subjacentes. Só assim é possível mitigar armadilhas e aproveitar o verdadeiro potencial da alocação ativa.
Superar o mercado não é questão de sorte, mas de estratégia, disciplina e profundo conhecimento dos ciclos econômicos. Embora a maioria dos fundos fique atrás dos índices, um seleto grupo prova que é possível ir além da média com processos robustos e expertise.
Para investidores ambiciosos, a lição é clara: combine diversificação, análise rigorosa e escolha criteriosa de gestores. Assim, a jornada rumo a retornos acima do benchmark deixa de ser um mito e se torna uma meta atingível.
Referências